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18 de Janeiro de 2017
por Brunno Covello, de Cusco, Peru Categoria: Cultura | País: Peru

Fotos e Texto: Brunno Covello



No alto dos mais de 3.400 metros acima do nível do mar, a cidade de Cusco, outrora símbolo da resistência do império Inca e suas tradições, hoje está no epicentro do turismo do Peru. A localização privilegiada em relação às diversas construções históricas deixadas pelos Incas, bem como o charme próprio de uma cidade que mistura as raízes andinas e os traços da colonização espanhola atrai milhares de turistas do mundo inteiro.

No entanto, certas tradições e costumes passam despercebidos do olhar dos visitantes mais desatentos. É o caso do antigo ritual Takanakuy ou “golpeémonos” – tradução literal em quechua. Ninguém sabe ao certo quando começou, mas estes embates foram forjados pelo povo da província de Chumbivilcas. Uma divisão de terras mal resolvida, palavras mal interpretadas ou mesmo pelo amor de uma mulher. Tudo pode ser a raiz de um duelo.

A tradicional troca de “puñetes y patadas” acontece no dia 25 de dezembro e, não por acaso, todos os lutadores tem que pedir benção à imagem de Jesus.



Brunno Covello


Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 



 

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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 

 

O chão de terra batida em uma arena improvisada no bairro Agua Buena, em Cusco, foi o palco de 20 confrontos, acompanhados por milhares de pessoas - entre crianças, mulheres e idosos. Antes do início das lutas, homens com máscaras típicas e com aves, raposas e outros animais mortas servindo de adereços participam de um concurso de dança. Mulheres e crianças também se juntam a festa e cada grupo representa um povoado da região. Os melhores e mais bem apresentados dançarinos ganham uma caixa de cerveja para assim poderem apreciar a pancadaria.

Apesar da aparência primitiva, logo as regras ficam claras aos que não estão familiarizados com o Takanakuy. Dois juízes acompanham de perto cada movimento dos combatentes. Como no Muy Thay, podem usar mãos e pés, mas sem luvas e/ou qualquer proteção. Quem acertar em cheio três vezes ou derrubar o oponente vence.


Brunno Covello


Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello


Geralmente a briga é curta, mas com intensidade nas alturas. A poeira do chão batido sobe enquanto os socos e pontapés são desferidos e quando um vencedor é definido surge o abraço e o brinde com a típica cerveza Cusqueña.

Dali, é possível sentir o peso dos golpes e o envolvimento da plateia. Os praticantes do Takanakuy acreditam que através da luta chegam a cura e sanam os problemas acumulados durante todo o ano. A partir daquele momento, estão prontos para um outro ciclo, agora renovados.




 

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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 



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 Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 



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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 




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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 

 


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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 



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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 




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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 




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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 




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Cusco, Peru. Foto: Brunno Covello 





 

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