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15 de Junho de 2016
por Lucas Reginato, de São Paulo Categoria: Política | País: Brasil

 
Por Lucas Reginato
 
 
Será mesmo de se comemorar a derrota de Eduardo Cunha na Comissão de Ética?

Digo isso porque, assim como no processo de impeachment, a população não teve vez.

Pelo contrário - quando foi às urnas, em 2014, é que elegeu não só Cunha como uma maioria do Congresso de pupilos dele. Esse Congresso mais conservador da história desde o golpe de 64, fruto de um sistema eleitoral torto, programado para favorecer as oligarquias no parlamento. (Por que será que tanto querem o parlamentarismo?)

Os deputados do "centrão" continuam sob seu comando. E mesmo que venham à TV maldizer o chefe, não podem se afastar dos acordos que firmaram pelo mandato.

Isso inclui seu sucessor na presidência, que num primeiro sinal de desobediência será cassado.
 
Cunha nunca teve pudor de agir nos holofotes. Parece gostar desse cinismo profissional.

Inclusive quando aceitou o pedido de Janaina Paschoal e Miguel Reale Jr. em declarada represália ao PT pela falta de apoio na Comissão de Ética. Quem comemorou a chantagem agora celebra a cassação. Tudo de fachada.

Pois cassado ele está à vontade para agir nas sombras, inclusive nesse governo provisório em grande parte nomeado por ele.

O cinismo transborda nas manchetes, com a ilusão de que o problema está resolvido. É entregar Cunha pela manutenção desse sistema benéfico a uma minoria organizada.

Ninguém foi mais preciso do que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) naquela infeliz sessão dominical: "Cunha, você é um gângster, e o que sustenta sua cadeira cheira a enxofre".

O gângster não se intimidará com a cassação. E o cheiro de enxofre continuará a escapar pelo vãos das portas que escondem os gabinetes do Congresso.

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