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31 de Janeiro de 2016
por Carlos Ogaz, de Chiapas Categoria: Social | País: México

Por Carlos Ogaz

Na última quinta-feira (28) foi realizado no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Autônoma de Chiapas (UNACH) uma cerimônia protocolar chamada propositamente pelo governo federal e do estado de Chiapas de "Ato de reconhecimento público da responsabilidade e pedido de desculpas" do Estado mexicano no caso de Aguaje, ocorrido no município de San Cristóbal de las Casas. Em 2000, uma criança morreu, Angel Diaz Cruz, e mais dois jovens ficaram gravemente feridos, Ricardo Lopez Hernandez e José Leonardo Lopez Hernandez, após serem atingidos por uma explosão de granada pertencente ao Exército Mexicano, como demostrou a análise de especialistas da Secretaria de Defesa Nacioal, após perícia realizada em fevereiro de 2001. 

O incidente aconteceu em 17 de setembro de 2000 no campo de prática de tiro do acampamento militar de Rancho Nueno, instalado a 500 metros da comunidade de Aguaje. O espaço ocupado pelos militares era utilizado pela população para a coleta de cogumelos, passagem, pastagem e coleta de lenha. Lá, as três crianças encontraram um objeto verde e pensaram que era um brinquedo. De repente, ao cair, a granada explodia causando a morte de um dos meninos e multilação nos outros dois. 


Manuel Velasco Coello revisó por momentos su celular durante la participación del Frayba, síntoma del desprecio repetido en varios momentos del acto hacia las familias afectadas en los hechos. Fotografía: Carlos Ogaz | Agência Plano

Quinze anos e cinco meses tiveram que passar para que o governo mexicano pedisse desculpas e reconhecesse a sua responsabilidade. Não só porque o campo de prática de tiro não contava com nenhuma delimitação de território ocupado ilegalmente pelo exército, mas, sobretudo, porque as ações faziam parte de um esforço ampliado contra as comunidades e povos do Exército Zapatista de Liberación Nacional e outras comunidades organizadas em grupos de resistência. 

Como consequência da militarização, só no estado de Chiapas, as violações de direitos humanos contra a população se generalizaram sendo responsáveis por esses crimes, principalmente, integrantes do exército mexicano, como ficou demosntrado nos casos confirmados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Caso 11.564 Gilberto Jiménez y otros, La Grandeza; Caso 11.411 Severiano y Hermelindo Sántiz Gómez, ejido Morelia y Caso 11.565 Ana, Beatriz y Cecilia Gonzáles Pérez).




En la imagen la señora Cristina Reyna Cruz López, madre del niño Ángel Díaz Cruz, quien resultara muerto por la explosión de la granada en la comunidad del Aguaje en el año 2000. Fotografía: Carlos Ogaz | Agência Plano

 

Como observou Pedro Faro, diretor do Centro de Direitos Humanos Fray Bartolomé de las Casas, durante sua intervenção no ato referente à ausência dos militares: "O exército mexicano não está presente porque no México ele é intocável, fica claro que é um super poder dentro de um governo civil. O Estado mexicano tem defendido com toda a sua força o foro militar, o que permite manter a impunidade nas maiores atrocidades do país, crimes de lesa a humanidade que ainda não reconhecem". 

Milhões de desculpas não seriam suficientes para ressarcir todo o dano que a cumplicidade entre os governos estatais e federal causaram às comunidades. Em meios às desculpas, algumas certezas ficam, como a impunidade que convive tanto na justiça civil e militar mexicana, e o fato de que nenhum militar ou político foi julgado por seus feitos.




Mural: Pedro Faro, durante la participación del Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de las Casas (Frayba), quien ha venido acompañando el caso del Aguaje. Fotografía: Carlos Ogaz | Agência Plano

 

Para o governo mexicano, a forma de ressarcir o dano no Caso Aguaje foi através de uma distribuição de privilégios, como bolsas de estudos, reforma da clínica de saúde da comunidade e promessas de trasparência no caso. Estas são ações intimamente vinculadas com os esforços contra-insurgência de movimentos de resistência do que à reparação do dano integral. Como se diz, a justiça não virá nunca do carrasco. 





José López Cruz, padre de los niños Ricardo López Hernández y José Leonardo López Hernández, quienes resultaron heridos al explotarles la granada propiedad del ejército. Fotografía: Carlos Ogaz | Agência Plano







 

 

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